quarta-feira, 12 de junho de 2013

Massimo di Felice, especialista em mídias digitais, fala sobre a revolução digital na literatura.

Acabei de comprar meu eReader e ele está a caminho da minha casa. Mas por que o comprei? Existem tantos livros que quero ler, mas não tenho condições financeiras de comprá-los e, por isso, acabou sendo mais fácil baixá-los em forma de ebooks. Como ler em frente ao notebook é cansativo, o eReader foi a melhor solução.

A revolução digital está causando um grande impacto na literatura mundial e o Brasil não está longe dessa revolução. Editoras já se preparam para o grande impacto que os livros digitais vão causar, ou já estão causando, no mercado nacional. Pensando nisso, trago uma entrevista com Massimo di Felice, Italiano, Sociólogo, Doutor em Comunicação e professor na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), retirado do site Revolução Ebook.

O livro digital já faz parte de uma cultura digital integrada por pessoas conectadas ou ainda precisa encontrar uma maneira de se adequar às novas práticas de leitura, de aquisição e de compartilhamento de informação e conhecimento? 
Muda ainda de lugar a lugar, mas é claramente uma tendência irreversível… os hábitos mudam, e estão mudando rapidamente. Muitas coisas estão a favor do livro e da leitura digital: em primeiro lugar a facilidade de sua aquisição, num contexto no qual pela grande distribuição é cada vez mais difícil encontrar o livro que se quer, como também a facilidade de aquisição de obra em outros idiomas, práticas hoje comuns num contexto globalizado. E, também, não por ultimo, o menor custo e a praticidade de ler e poder levar consigo um grande número de livros num único, leve e prático, suporte de leitura. Tudo isso nos diz com clareza que o processo é irreversível e rápido.
Um dos maiores entraves para a consolidação do livro digital é encontrar a solução para o compartilhamento e a pirataria. Essa seria a resposta de ouro para as editoras. O uso de DRMs é comprovadamente ineficaz. Como utilizar a cultura dos “shares” como aliada estratégica dos negócios, e não como inimiga? 
É preciso pensar mais seriamente e profundamente sobre o que é chamado de “pirataria”, o formato digital altera todas as fases do processo tipográfico: da produção, à distribuição e o consumo, nada ficou como era. Este é um ponto fundamental, as editoras deveriam refletir mais seriamente sobre o que está acontecendo desde um ponto de vista social e cultural e não apenas desde um ponto de vista econômico, uma vez que o tipo de produto que elas produzem é um produto particular, que tem a ver com a cultura, seu acesso e sua divulgação. As editoras devem sair da sua situação de conforto e adquirir uma postura mais empreendedora. O que a digitalização dos livros (de seus textos e do seu processo de produção, distribuição e consumo) vai a provocar é algo próximo ao que aconteceu com a invenção de Gutenberg no século XV. Nada vai ficar igual, trata-se de algo qualitativo e não apenas de uma simples adaptação. As universidades, as escolas estão sendo alteradas por este processo, consequentemente, as editoras devem passar a repensar a si mesmas não apenas como produtoras de livros, mas como produtoras de conteúdos, isto é, de formatos informativos digitais. Quero sublinhar este aspecto: volto a remarcar que se trata de uma questão cultural e social de um lado e empreendedora do outro. As duas questões estão ligadas e não em contraposição, como geralmente se acha. Um dos lados mais interessantes da história da cultura empreendedora é a sua propensão a assumir riscos, como faziam os primeiros mercadores e como devem fazer as editoras hoje… deixar de pensar apenas em seu próprio umbigo, assumir riscos e mostrar grandeza, é esta a natureza da questão digital, como a de todas as inovações, perante as quais, historicamente, somos chamados a assumir uma posição: a de recusa ou a da aceitação do desafio que esta nos impõe.
Uma das principais preocupações das editoras, plataformas e livrarias virtuais é encontrar um modelo de negócios não apenas viável, mas também lucrativo para o livro digital. As vendas estão crescendo, mas em um ritmo não muito acelerado – no Brasil, a oferta de títulos digitais é de apenas 25 mil ebooks. O que falta é o modelo de negócios certo ou uma mudança de comportamento, mais alinhada com a realidade digital? 
Acho que é só uma questão de tempo. A Amazon acabou de chegar no pais, em todos os países onde chegou demorou dois ou três anos para transformar por inteiro o mercado do livro. No Brasil não será diferente. 
Você defende que a leitura digital é mais sustentável em relação aos impressos – não apenas no sentido da economia de papel, mas na redução instantânea dos custos de distribuição e transporte. Mas a produção de tablets e eReaders em larga escala também não seria insustentável por utilizar fornecedores que exploram mão-de-obra barata, por exemplo? Por outro lado, a distribuição de conteúdo digital está centrada na capacidade dos datacenters, grandes consumidores de energia. Como assentar esse ecossistema digital sobre paradigmas realmente sustentáveis, que não gerem passivos ambientais?
Discordo completamente. A cultura digital, a da conectividade, é responsável pela criação e pela difusão da cultura da sustentabilidade. No meu último livro, Redes Digitais e Sustentabilidades, (S. Paulo 2012, Ed. Annablume) abordo esta temática com precisão. A cultura ecológica contemporânea, que nos sensibiliza sobre consumo energético, impacto e pegadas é resultado do advento de uma cultura da conexão que nos brinda com a difusão do conceito de rede. Este conceito, responsável pela difusão de novas praticas, faz com quem nós hoje passemos de um modelo ecológico separatista e dialético (homen-natureza) para um modelo ecológico conectivo e reticular. A exploração de mão de obra barata como o grande consumo de energia não são os elementos constituidores e estruturais do processo mas apenas aspectos negativos que mostram o seu mal funcionamento. A energia pode ser renovável, e as relações de trabalhos melhoradas. A questão é: quem contribui mais para que isso mude, os jornais, a mídia tradicional, ou as redes digitais e os social networks?

Se temos uma maior consciência mundial ecológica hoje, devemos isso à circulação de informações nas redes digitais e a cultura da conectividade que aprendemos a desenvolver nelas. A sustentabilidade é um produto da cultura digital.

Entrevista realizada por Eber Freitas, em 11 de junho de 2013. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Comentando "The Rains of Castamere"...

Depois de quase duas semanas sem postar absolutamente nada, eu voltei. A faculdade consumiu muito da minha vida, mas consegui um tempinho para vir ao blog e, mesmo atrasada, comentar o último episódio de Game of Thrones. "The Rains of Castamere", o nono episodio da terceira temporada, causou bagunça ao mostrar o Casamento Vermelho e, consequentemente, a morte de alguns personagens queridos da série. Se você não viu o episódio, nem sabe o que realmente aconteceu, pare por aqui. Minha opinião abaixo implica em spoilers.


Quando li o Casamento Vermelho ano passado, em "A Tormenta das Espadas", meu coração acelerou e meus olhos se encheram de lágrimas com a morte de Robb. Mas tenho que confessar que surgiu um pequenino sorriso quando a garganta de Cat foi cortada. Ela sempre foi a personagem mais chata dos livros, estava louca por seu fim... 

No seriado de TV, a cena do Casamento Vermelhos foi uma das mais esperadas pelos fãs, inclusive por mim. Quando "The Rains of Castamere" começou a tocar e Cat percebeu que alguma coisa coisa estava errada, fiquei nervosa, meu coração novamente acelerou e meus olhos não largaram a tela. A cena foi incrível! Setas voaram pelo ar, espadas foram empunhadas e gargantas cortadas. Foi a melhor cena da série.

O episódio causou indignação naqueles que viam o seriado e não sabiam dessa parte da história. Muita gente reclamou, falou que não vai ver mais a série, blá, blá, blá. Povo chato. O mundo está acostumando com os personagens principais se dando bem no final, sempre tendo um mocinho, ou mocinha, para torcer. Claro que a morte desses dois personagens assusta, mas o mundo tem que entender que Martin é Martin, a história é dele e, mesmo discordando às vezes, ele pode matar quem ele quiser... hahaha

E quanto a Talisa de Volantis? Bom, a cena em que esfaqueiam a barriga dela foi chocante, até para mim. No livro, Talisa é Jeyne Westerling, que teve um caso com Roob e ele acabou se casando com ela ara não desonra-la. Jeyne não estava no casamento, como Talisa também não deveria estar.

Mas bem, agora temos menos dois Starks no seriado, mas ainda tem muita gente para morrer e sofrer. E se serve de consolo, personagens que odiamos também irão se dar mal. Esperem e verão. 

P.S. Acho que eu sofri mais com a morte de Vento Cinzento do que a do dono :(

sábado, 25 de maio de 2013

Êxtase - Lauren Kate


Quando comecei a ler Fallen, o primeiro livro da série de anjos de Lauren Kate, eu fiquei animada. Tormenta foi decepcionante e enjoado. Paixão não teve nenhuma surpresa, pois Luce continuava chata, Daniel quase não apareceu e a história em si foi quase um tapa buraco para Êxtase, o último livro da série. Contrariando todas as minhas expectativas negativas, pela primeira vez na história dos anjos caídos, fui surpreendida por um livro delicioso de ser lido, com uma história que conseguiu me fazer  esquecer a decepção dos livros anteriores e que teve um final digno e interessante. O último livro salvou a série. 

Em "Êxtase", Luce, Daniel e seus companheiros têm nove dias para encontrar três relíquias perdidas que, juntas, apontam para o lugar da queda de Lúcifer e dos anjos. Se os planos de Lúcifer se concretizarem, o passado será apagado e a vida dos anjos se complicará ainda mais. Assim, Daniel, Luce, Cam, Ariane, Gabbe, Rolland estão juntos para tentar conter Lúcifer e salvar a Terra do Anjo do Inferno. 

Dentre todos os livros da série, o último foi o  que prendeu mais o leitor e o mais objetivo, dispensando um pouco as declarações de amor entre o casal principal e focando mais na ação e nas surpresas do enredo. "Menos conversa, mais ação", já dizia o poeta. Claro que Daniel e Luce continuaram a se beijar bastante e Luce ainda admirava os olhos violetas do amado, mas a frequência de tais eventos foram bem menores. Além disso, depois de passado 3 livros, já entendemos alguns personagens e nos acostumamos com suas atitudes, criando um ar de familiaridade com o livro. Até Luce finalmente conseguiu me conquistar . Ela ganhou confiança em si mesmo, parou de ser indefesa o tempo todo e foi atrás de seus objetivos. Parabéns para a Luce!! E para Daniel também, o anjo conseguiu esconder um grande segredo direitinho.

Outro motivo que me deixou super satisfeita ao ler o livro foi o seu final muito, mais muito criativo! Parabéns também a Lauren Kate. Não vou entrar em detalhes, afinal spoilers não são legais, mas o final é grandioso e realmente surpreende. Não é bom criar muita expectativa nos leitores, pois quanto mais alta ela é, mas difícil é atingí-la, mas Êxtase conseguiu me surpreender como poucos livros já  me surpreenderam até hoje. O queixo cai, os olhos se arregalam e uma frase foi dita: Como eu não percebi isso antes? 

Agora, terei que ler os quatro livros novamente quanto tiver tempo e reparar se Lauren Kate deixou muitos vestígios do segredo, o que eu acho que ela deixou. Fiquei realmente feliz em ler esse livro. Para quem largou a série, pegue-a para ler de volta porque vale a pena só pelo final. 

domingo, 19 de maio de 2013

A estrada da noite

"A Estrada da Noite", escrita por Joe Hill, é um livro de suspense que causa ansiedade e nervoso, principalmente pelo fantasma vilão do livro, e  da quantidade de sangue que o livro transborda. Toda hora alguém machuca, ou imagina se machucar... Coisas assim.

A história é focada em Jude, um músico de Rock pesado que possuem uma atração por coisas macabras, possuindo até uma coleção dessas "relíquias" em sua casa. Por causa desse instinto pela morte, Jude acaba comprando on-line um paletó que promete trazer junto o fantasma do dono. Curioso com essa nova mercadoria, ele acaba tendo uma surpresa ao perceber que realmente existe um espírito que agora o acompanha e ameaça a sua vida e de Geórgia, sua atual namorada. Para piorara ainda mais o fantasma acredita que Jude ocasionou a morte de sua enteada, uma fã fervorosa de Jude, e agora quer se vingar matandos os dois.

Os personagens são o melhor do livro. Geórgia, Ana, Jude, Craddock são muito bons, possuem força de vontade e carisma, todos eles.  A relação do casal principal é interessante e enigmática, pois o leitor nunca sabe os verdadeiros sentimentos de Jude por Geórgia e não tem a minima ideia se realmente eles vão sobreviver. O enredo é interessante por trazer dicas que podem ser pescadas durante todo o livro e assim talvez o final não seja tão surpreendente, mas satisfatório. Além disso, temos movimento no livro todo, seja na casa de  Jude, na estrada, ou aonde quer que eles estejam.   É garantida a falta de tédio.

Nunca tinha lido um livro de Terror/ Suspense. Não sou fã do gênero no cinema e por isso não achei que iria realmente gostar de um livro que trata de fantasmas perseguindo gente na terra, sangue para todo lado e momentos possessivos.  Mas até que eu gostei, foi uma nova experiência. Esperando a oportunidade de ler um livro do pai agora, Stephen king. Acho que eu errei a ordem.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

10 livros brasileiros que merecem ser lidos



Primeiramente, gostaria de pedir desculpas. Quando pensei no tema desta lista, não percebi na hora que eu realmente li muito poucos livros brasileiros em relação aos estrangeiros. Na verdade, parece que eu apenas li livros de Machado de Assis e José de Alencar. 

Mas mesmo assim a lista está aí, faltando variedade mas rica em qualidade. Uma lista que vou chamar de provisória, até eu conseguir ter em mãos livros de escritores brasileiros mais diversos.  Estou aceitando dicas!

1- O Guarani - José e Alencar
2- Senhora - José de Alencar
3- Incidente em Antares - Érico Verissimo
4- Dom Casmurro - Machado de Assis
5-Depois daquela Viagem - Valeria Piassa Polizzi 
6-  Vida de Droga - Walcir Carrasco
7- Éramos seis - Maria José Dupré
8- 5 Minutos - José de Alencar
9 -  O Alienista - Machado de Assis
10 - Reforma da Natureza - Monteiro Lobato

P.S: A lista não está em ordem de preferência

domingo, 12 de maio de 2013

Somente MÃE

Mãe, aquele ser humano que cuida de você , que nunca para de se preocupar com o filho, não importa a idade;

Mãe, aquela que te ama mais do que qualquer um nesse mundo. Que abdica de muitas coisas e da própria vida para oferecer ao filho o melhor; 

Mãezinha é aquela que te carregou no colo quando você era um bebezinho, estava ao seu lado quando a doença aparecia e fez todo o possível para você ter uma infância feliz e saudável;

Foi a Mamãe que leu suas primeiras histórias, te deu o primeiro livro e ajudou a juntar as letrinhas quando você ainda não conseguia formar as palavras direito;

Mãe é aquela que mesmo você tendo 19 anos fica preocupada com suas saídas noturnas, tem paciência com seus chiliques e, mesmo morta depois de um dia de trabalho, faz a janta para uma filha esfomeada;

MÃE é aquela palavras de três letras tão curtinha, mas que consegue, por onde passa, transmitir todo o amor do mundo!!


Dedico esse texto a minha amada mãe e a todas as outras que me acompanham sempre.  Vocês são completamente insanas de transmitir tanto amor e, espero que nós, os filhos, consigamos retribuir isso de alguma maneira. 

domingo, 5 de maio de 2013

O Grande Gatsby


A Primeira Guerra Mundial já foi finalizada e a sociedade norte americana está bastante festeira, animada, e esbanjando dinheiro. Um pouco sem limites. A casa do misterioso e milionário Jay Gatsby é ponto de encontro de todos da alta sociedade de Long Island. Suas festas são muito bem frequentadas, com bastante música, bebidas e diversão. Em meio a esse mundo glamouroso, Gatsby está tentando reconquistar o amor de Daisy, que acabou casando com Tom Buchanan, após o rompimento dos dois.

O Grande Gatsby é um clássico da literatura norte americana, que eu apenas conheci por causa do filme que será lançado em junho deste ano. A história é bastante envolvente, e o que torna a leitura ainda mais interessante é o narrador, Nick Carraway, primo de Daisy e vizinho de Gatsby. A visão que temos dos relacionamentos que ocorrem no livro são as de Nick, e isso é um diferencial interessante na obra. Ele começa sua história e não temos nenhuma ideia de onde ele vai parar e como chegaremos a pessoa que dá o nome ao livro. 

A linguagem também me impressionou muito. F. Scott Fitzgerald escreve de maneira simples, bonita e leve, ao mesmo tempo em que possui um ótimo conteúdo a transmitir. Suas descrições físicas e de ambiente me impressionaram, acho que nunca li um livro com descrições tão bem elaboradas. Os personagens também foram bem etruturados e são daqueles que amamos ou odiamos. Abaixo, destaco dois trechos que me surpreenderam, pela boa escrita, durante a leitura: 
"Olhei para Miss Baker, imaginando que coisa era essa que 'ela fazia'. Gostei de olhar para ela. Era uma garota esguia e de seios pequenos, com um porte ereto, que ela acentuava jogando o corpo para trás na altura dos ombros como se fosse um jovem cadete do exército. Seus olhos cinzentos, apertados por causa da luz do sol, contemplaram-me de volta com uma recíproca e polida curiosidade do alto de um rosto pálido, encantador e descontente."
"Dentro da casa, a sala rosada resplendia de luz. Tom e Miss Baker estavam sentados cada um em uma ponta do longo sofá e ela lia alguma coisa para ele no Saturday Evening Post. As palavras eram murmúrios sem inflexão e corriam juntas como se fossem uma tranquilizante melodia. As luzes das lâmpadas, brilhantes nas botas dele e  foscas no amarelo de folhas de outono dos cabelos dela, reluziram contra o papel acetinado quando ela virou uma página da revista com um movimento que provocou uma    rápida vibração dos músculos delicados do seu braço."
"O Grande Gatsby" foi uma boa surpresa e fiquei feliz em descobrir sua existência. Pequenininho no tamanho, mas grandioso por dentro, o livro foi daqueles difíceis de largar. Vale muito a pena lê-lo. 

Trailer do filme:


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